domingo, 2 de agosto de 2009

Nota urgente sobre a segunda Assembleia Geral


Para algumas coisas acontecerem, basta disposição. A disposição de promover os encontros. A disposição de querer saber para onde estamos indo. O público que comparece na ASSEMBLEIA GERAL sabe disso. O público e os organizadores buscam isso. Encontros de amigos, encontros de idéias, encontros de conversas e ações espalhadas pelas praias e praças.

Ontem, no primeiro dia de agosto, aconteceu a segunda edição do evento. Convidamos Sérgio Cohn, editor da Azougue, que fez fala brilhante sobre os desafios e percalços da Cultura Digital no Brasil e Alessandra Colasanti, em uma longa, esclarecedora e bela entrevista com o ator, diretor – e pai dedicado! – Enrique Diaz. Nas suas falas, os temas abordados geraram reflexões sobre arte, cultura, tecnologia, teatro, texto, poesia, mercado, vida, escolhas, escolas, futuro, coletividades, esperança, trabalho, maturidade, silêncios, decisões. Um manancial de idéias que reverberou pelas cabeças presentes.

Em breve faremos um relato mais aprofundado sobre a tarde/noite do dia 1 de agosto de 2009, data da segunda ASSEMBLEIA GERAL. Vamos também disponibilizar alguns vídeos com a fala de Sérgio e a entrevista de Enrique Diaz. A organização Assembleia Geral da Lapa – empresa fictícia afiliada a cadeia-conglomerado Groovy Promotion – agradece imensamente a presença de todos, os que apareceram pela segunda vez, os que pararam na rua para assistir, os que apareceram de outras cidades, os que foram pela primeira vez.



Ontem, a sensação foi de que a platéia, os convidados, os organizadores, todos entenderam perfeitamente o espírito do evento: ocupar coletivamente o ateliê, a rua, o rio d`janira, as mentes, o tempo – tão curto e tão veloz – e criar, entre tudo isso e entre todos nós as possíveis CONEXÕES para seguirmos inventando, experimentando, pensando e produzindo um mundo melhor para vivermos.

Para além do umbigo, ASSEMBLEIA GERAL agradece imensamente e promete que não vai parar. Em breve, a próxima. Até lá.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Relatório da primeira Assembléia Geral





A primeira Assembléia Geral ocorreu na tarde ensolarada de céu azul de almanaque do dia 9 de maio, no Rio d’janira, rua Joaquim Silva, ateliê de Raul Mourão e da massa de artistas que dividem o espaço com ele.


O evento, cuja idéia básica é COLETIVIZAR IDÉIAS E AÇÕES ao redor de trabalhos, conversas, apresentações de temas, trajetórias profissionais, projetos soltos e abertos, o encontro, cujo objetivo basilar é AMPLIAR OS CANAIS E ESPAÇOS em prol de novas possibilidades de pensarmos juntos o que cada um vem levando na batalha diária de criar e produzir e selecionar e dizer e editar e erguer solitariamente em casa nas salas nas ruas nos espaços de trabalho, atingiu em cheio os planos iniciais. Pouco mais de quarenta pessoas estiveram presentes. Porém, todos estavam ligados nos papos e trabalhos apresentados, todos estavam ali convictos, inaugurando uma movimentação que não vai parar.




Inauguramos com três trabalhos/falas/entrevista para serem apresentados: Frederico Coelho apresentando Livro ou Livro-me: os escritos babilônicos de Hélio Oiticica (1971-1978), Helena Aragão apresentando as ferramentas e possibilidades do site Overmundo e Raul Mourão entrevistando ao vivo Fausto Fawcett. Se de início não havia um planejamento de conectarmos as falas ao redor de um eixo comum, elas acabaram convergindo para esse eixo, tornando a primeira ASSEMBLÉIA GERAL uma tarde/noite de reflexão sobre obsessões em se conectar, em interagir com o mundo, em expandir os espaços e referências da arte e da vida. Creio que o email de Fausto resume bem o clima do evento. Aliás, mais do que isso, resume a própria idéia da Assembléia. Com a palavra, Mr. Fawcett:



Salve Fred, eu é que agradeço o convite e já vou dizendo que fiquei impressionado com a sintonia-afinidade-cumplicidade de cruzamento das três falas. Falei brincando pro Raul que se tivéssemos que dar um nome título praquela tarde seria overmundo de oiticica fawcett tamanha as correlações entre os três universos, entre as três disneylândias (as duas surgidas das mentalizações individuais e a do site anárquico colaborativista) que, em ultima instância, caracterizam definitivamente, brutalmente, vulgarmente digital e dnalmente, as percepções dos urbanopatas. De maneira dispersa na maioria das pessoas e de forma inebriante, violenta e inevitavelmente viciante no caso específico dos estudiosos observadores totalmente apaixonados (artísticos ou não) pelo excesso de ocorrências (ocorrências clinicas, amorosas, conflituosas, técnicas, políticas, sociais, químicas, biológicas, infantis, juvenis, idosas, plásticas, lúdicas, guerreiras, dementes, assassinas, policiais, mediúnicas de salão, praianas, nova iorquinas em xangai, ocorrências brasileiras no cazaquistão, endoscopias de ratazanas, colonscopias de anões empalhados por traficantes chineses, ocorrências se chocando e chocando ovos de serpente cuja tecnológica, sociológica, antropológica neuropsiquiatrica pele mental é trocada rapidamente durante o dia, a noite, a tarde na base da consciência de que somos mentes à deriva em meio a intensidades simultâneas) que fundamentam o metabolismo superstar da atualidade ou seja, zoom de close revelando dois minutos de alguma coisa se atomizando em relações com outras coisas artefatas revezando com panorâmicas de labirintos cheios de promiscuidade, poluição, propagação, proliferação, simbioses comerciais, sinestesias desconcertantes, saturação sensualista e borrão de vivencias cosmopolitas. Fiquei mesmo impressionado e já estou esperando o mês que vem pra ver o que vai rolar. Agora que já banderei meu sentimento nervoso em relação a tudo acho que vamos trocar muitas ideias sobre tudo isso né não ? Vou ler direto a tese e dar uma sacada no blog. Valeu, abraços

F. F.


Em breve, uma nova convocação para a Assembléia Geral de junho será lançada. Isso é só o começo.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Ato I



No Brasil contemporâneo, as novas gerações de pensadores, criadores, inventores, produtores e consumidores estão, muitas vezes, escondidas. Há diversas áreas e formas de ação na mesma proporção que há silêncios e desinteresses. Nos bares – tradição carioca por excelência – as conversas sobre arte, política e cultura se entrelaçam constantemente. Na base de qualquer assunto, a falta de convergências, de oportunidades de debate público. A internet explode as possibilidades de diálogos e projetos virtuais que, muitas vezes por falta de dinheiro, não chegam a lugar nenhum. Filmes, sites, livros, peças, obras são adiadas. Apesar disso, as idéias estão quentes, as opiniões estão formadas, as iniciativas estão nas ruas. Basta que elas se encontrem para ampliar suas possibilidades.

Os anos sessenta/setenta e toda sua aura iluminadora e radical, ainda ecoam fortemente nesses grupos e ações. Nostalgias paralisantes de obras e idéias, de uma causa para se engajar, de trajetórias radicais, de demarcações de espaços de produção ao longo da nossa história cultural. Hoje, pulverizados por milhares de encontros e desencontros, uma geração que está nas praças e nas universidades, nas produtoras e nos ateliês, nos computadores e nas festas, não consegue estabelecer conexões concretas de ação e pensamento sobre nosso próprio tempo. E não consegue porque, na ampla maioria das vezes, não há espaços.

Definir quem é o “novo” ou onde esse “novo” está não é uma tarefa simples e nem é a questão central. Mas apresentar um espaço em que esse “novo” (onde “novo” é a questão, a proposta, e não um corte etário simplesmente) possa se manifestar, respirar, hesitar, apresentar-se e representar-se, em suma, botar as cartas e idéias na mesa para debates, diálogos e embates, é fundamental e possível de ser feito. De vinte ou de sessenta anos, as idéias serão o foco dessa busca de renovação da arte do debate e do diálogo cultural.

Esse é o principal objetivo da ASSEMBLÉIA GERAL: ser um fórum plural, plataforma de idéia, espaço de ação de coletivos, laboratório de documentos e pautas para a imprensa, pólo de políticas culturais em que, ao redor de temas e questões amplas da contemporaneidade, novas cabeças e novos projetos possam estar frente a frente de forma criativa.